martes, 20 de junio de 2017

Brasil: CEBRASPO: ABAIXO A OPERAÇÂO CAÇADA VERDE NA ÍNDIA!

 

 

 

ABAIXO A OPERAÇÃO CAÇADA VERDE NA ÍNDIA!

Reproduzimos matéria de denúncia sobre a criminosa Operação Caçada Verde do Estado indiano:
O Estado Indiano declarou guerra ao povo, e pôs em movimento 150 mil tropas nos Estados das regiões central e leste do país, para ameaçar, prender e assassinar pessoas, e expulsar povos tribais e camponeses de suas terras milenares. Trata-se da Operação “Caçada Verde”, em pleno curso nos dias atuais, levada a cabo a pretexto de combater os Naxalitas, nome dado aos combatentes do Exército Guerrilheiro Popular de Libertação (EGPL), dirigido pelo Partido Comunista da Índia (Maoísta).
O real contexto
O Estado Indiano, umbilicalmente associado ao imperialismo, tem ao longo dos anos atacado povos tribais (chamados de Adivasis) para expulsar-lhes das suas terras milenares. Tratam-se de terras riquíssimas em recursos minerais e naturais, e há interesse direto de grandes corporações (como Tata, Essar, Jindal e Mittal) nessas terras.
Nos dados do Censo de 2001, os Adivasis (ou povos tribais) correspondiam a mais de 84 milhões de pessoas em todo o país, preservando uma cultura milenar e modos de produção e de propriedade coletiva, bem como uma estrutura de poder própria. Esses povos têm dado uma importante contribuição à filosofia, linguagem, costumes no país, e também às lutas de resistência desde a colonização britânica no século XVII.
De acordo com a legislação indiana, as terras dos povos tribais são protegidas sob o nome de Áreas Catalogadas (Scheduled Areas), devendo nelas ser assegurado o controle e administração pelos próprios povos tribais. Os órgãos que exercem soberania popular são chamados de Gram Sabha, que são competentes para resolver os problemas locais.
Os Naxalitas tem desenvolvido o apoio concreto aos povos tribais, apontando o caminho da resistência armada. O Estado indiano, a pretexto de combater os Naxalitas, faz a guerra contra o povo e realiza deslocamentos massivos de pessoas visando suas terras.
Em uma entrevista transmitida a uma rádio australiana em 12 de fevereiro de 2010, Linga, uma moradora local, denuncia:
“Os moradores do meu bairro se sentem inseguros. Nós estamos sendo explorados, a nossa terra está sendo roubada. E não é o governo que está nos ajudando, mas sim os maoístas. Nenhuma lei é respeitada. Mesmo aquelas conquistadas após a independência, há 60 anos, não têm aplicação. Nós ainda temos que lutar por nossos direitos.”[i]
As forças de repressão
Em junho de 2005 foi criada uma força paramilitar chamada Salwa Judum, que quer dizer, na linguagem Adivasi, "caçada de purificação". A campanha Salwa Judum é marcada por grandes “procissões” nas vilas Adivasis, que despejam os moradores e os levam para “campos de proteção”, verdadeiros campos de concentração sem condições de vida cultural e produção agrícola, para onde as pessoas são levadas e ali ficam sem nenhuma perspectiva de futuro. As invasões Salwa Judum às vilas separam as famílias e deixam crianças desamparadas. Quem não aceita ir para os campos, se esconde nas matas densas e ali passa a viver. As pessoas são ameaçadas para não retornem às vilas. Abandonadas, as vilas são saqueadas e incendiadas.
Em dezembro de 2007, uma equipe de advogados de vários países, incluindo o Brasil, organizados pela Associação Internacional dos Advogados do Povo (IAPL), visitou vários campos de concentração e vilas abandonadas, podendo constatar de perto a situação[ii].
O Estado indiano não assume o patrocínio da campanha Salwa Judum, mas justifica sua atuação no combate aos Naxalitas.
Além das Forças Armadas regulares, o Estado atua com a Força Policial da Reserva Central (CRPF, em inglês) e SPO’s, que em português significa "agentes de polícia especiais", recrutados pelo governo entre os moradores mais jovens e pessoas com experiência em liderança, com promessas de salários, para vigiar e intimidar os povos das vilas e dos campos de concentração, ora ostentando armas pesadas, ora disfarçados para coletar informações. Os principais quadros do Salwa Judum são compostos de SPO’s pagos e armados pelo Estado.
Governantes de Chattisgarh declaram abertamente que a sangrenta guerra travada pelo exército do Sri Lanka contra o povo tâmil é a inspiração da Operação “Caçada Verde”[iii]. Nos anos de 2008 e 2009, centenas de milhares de cidadãos da nacionalidade Tamil foram mortos.
Uma frente de organizações estudantis e camponesas do Estado de Tamil Nadu (sul da Índia), em uma conferência em 30 de janeiro de 2010, afirmou:
“É uma mentira deslavada de que a guerra está sendo travada apenas porque os maoístas estão empreendendo uma luta armada. As pessoas estão fervendo de raiva com os inúmeros assaltos de recolonização. O Estado entende esse fato e também sabe que só os naxalitas têm a capacidade e a coragem para acender a centelha entre as massas. Assim, ele tenta apagar essa faísca. Este é o objetivo da caça aos Naxalitas, a Operação Caçada Verde.”[iv]
Apoio internacional
Além de inúmeras organizações populares em vários segmentos, centenas de escritores, cineastas, acadêmicos, advogados, médicos e outros intelectuais têm se unido às manifestações de massa, comícios e fóruns na Índia. As principais consignas são: cessação imediata de todas as operações armadas contra o povo; suspensão imediata de aquisições de terras e expulsões; parar as matanças extrajudiciais; libertar todos os presos políticos.
Entre esses contundentes apoiadores, está a escritora e ativista anti-imperialista Arundhati Roy, conhecida no mundo todo por romances como O Deus das Pequenas Coisas. No último dia 2 de junho, em palestra proferida em Mumbai, Arundhati Roy denunciou que a perseguição do Estado está ocorrendo também nas cidades, e que os monopólios de comunicação estão instigando sua perseguição e prisão.
“Agora que a Operação Caçada Verde começou a bater às portas de pessoas como eu, imaginem o que está acontecendo com os trabalhadores e ativistas políticos que não são bem conhecidos. Com as centenas deles que estão sendo presos, torturados e eliminados.”[v]
Em fevereiro foi comunicado o lançamento da Campanha Internacional em Oposição à Guerra contra o Povo da Índia (ICAWPI — www.icawpi.org). Várias organizações em todo o mundo têm apoiado e dado repercussão à resistência do povo à Operação “Caçada Verde”.
No dia 19 de abril, dezenas de camponeses organizados pela Liga dos Camponeses Pobres – LCP promoveram, juntamente com várias organizações populares, um protesto em frente à embaixada da Índia em Brasília, exigindo o fim imediato da Operação “Caçada Verde”. Levantaram bandeiras vermelhas e faixas em português e inglês exaltando a heróica resistência do povo Adivasi e de todos os camponeses indianos. Uma delegação de integrantes do Cebraspo (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos) e da Abrapo (Associação Brasileira de Advogados do Povo) entregou um documento ao embaixador da Índia no Brasil, B. S. Prakash, que tentou intimidar o advogado da Abrapo (Associação Brasileira de Advogados do povo) dizendo que não se podia falar em matança de camponeses na Índia.
Em várias partes do mundo, organizações populares se inspiram resistência inquebrantável e crescente do povo indiano.
________________________
*Professor de Direito Internacional e Vice-presidente da Associação Internacional dos Advogados do Povo. Site: http://www.direitodospovos.wordpress.com

[i] Jornal A Nova Democracia, nº 63, março de 2010
[ii] O relatório final e vídeo da Missão foram disponibilizados no site http://www.iapl.net
[iv] Idem

martes, 13 de junio de 2017

India - 80 'prisioneiras políticas' en folga de fame por 'tortura' de maoístas encarceladas


Fonte: Avaninews
Around 80 political prisoners in four jails — three of which are in Kolkata — went on a 24-hour hunger strike Saturday morning to protest against the ʹtortureʹ inflicted on former Maoist Kalpana Maity, who is currently in Alipore Womenʹs Jail. The strike at Presidency Jail, Dum Dum Jail, Jalpaiguri Jail and Alipore Womenʹs Jail began at 6 am and end at the same time Sunday.
Ranjit Sur, a member of the Association for Protection of Democratic Rights, a city-based human rights organisation, said he was in touch with the prisoners and that the organisation had received a written complaint from Maity detailing the ʹtortureʹ.
(Source:Indianexpress)
ʹShe gave us the written complaint at her last court appearance, which was on the 6th of this month. She was to approach the court as well but couldnʹt place her complaint in front of them in the last hearing. According to her complaint, Kalpana has started suffering from many illnesses since she was shifted to Alipore jail. She suffers from high blood sugar, arthritis and a number of other illnesses.
She alleges that the jail warden has issued instructions to all other inmates in the prison that if she asks anyone for help, they are not to help her. The other inmates have been prohibited from talking to her, and she has been prohibited from talking to them. She has been instructed to clean her own cell and bathroom which the other inmates donʹt have to do. Other inmates are allowed on the prison grounds for walks or exercise. Kalpana has been denied this facility,ʹ said Sur.
He added that despite Maity being an political prisoner, recognised by the court as such, she was not given due facilities. ʹThere are certain things that a political prisoner is to receive by law, such as a table, chair, books, newspapers and writing material. The prison authorities have not given her these facilities. She has been isolated completely,ʹ he alleged.
According to Sur, Maity was arrested on December 4, 2010, with four other alleged Maoists, Sudip Chongdar, Barun Sur, Akhil Ghosh and Bimal Mallick, from Maidan in Kolkata. She was known to be close to Maoist Kishenji, often called his ʹshadowʹ. ʹThe political prisoners have decided that if this torture does not stop, then across all jails in West Bengal, they will go on an indefinite hunger strike,ʹʹ said Sur.
In 2012, soon after coming to power, Chief Minister Mamata Banerjee had permitted the release of 51 political prisoners who had received life terms and had already served over 15 years in jail. The recommendations were made by a ʹReview committee for the release of political prisonersʹ, headed by retired Justice Maloy Sengupta. However, while the Sengupta committee had recommended the release of all political prisoners, this was not done.


jueves, 1 de junio de 2017

Europa: Resposta de Federica Mogherini a carta enviada por Lidia Senra sobre a situación do Profesor GN Saibaba



O noso Comité tivo acceso a resposta da Comisaria de Relacións Internacionais da Unión Europea Federica Mogherini, a carta enviada pola europarlamentaria galega Lidia Senra e o europarlamentario alemán Fabio Di Masi. Nestas resposta manifesta a sua preocupación e seguimento da situación do Profesor GN Saibaba dende a sua primeira detención en 2014, e que xa foi tratado o caso na delagación da UE na India na Comisión de Dereitos Humanos, así mesmo que está pendente da resolución do recurso presentado polo abogado do Profesor, agardando que por razóns humanitarias sexa posto en liberdade.

Dende o Comité Galego creemos que non se pode agardar a un recurso xudicial mentres o Profesor segue na cadea, dado que cada dia que pasa agrabase a sua situación de saúde. Por iso reclamamos a liberación inmediata do Profesor GN Saibaba e dos seus compañeiros detidos e facemos un chamado internacional a intensificar a loita pola liberdade inmediata do Profesor GN Saibaba.
 
 
Our committee had access to answer the Commissioner of International Relations 
of the European Union Federica Mogherini, 
the letter sent by the Galizien MEP Lidia Senra and the German MEP Fabio Di Masi. 
These response expresses its concern 
and monitoring of the situation of Professor GN Saibaba since his first arrest in 2014,
 and has been already treated the case 
in delagación EU in India's National Human Rights Commission likewise which is
 pending resolution of the appeal presented 
by lawyer Professor, waiting for humanitarian reasons it is released.
 
 
 
From the Galician Committee believe that you can not wait for an appeal court while 
the Professor remains in jail, because 
every day that passes agrabase their health situation. Therefore we demand the 
immediate release of Professor GN Saibaba 
and their detained comrades. 
We call international to intensify the struggle for immediate release of Professor GN Saibaba.

lunes, 15 de mayo de 2017

Levantamento Camponês de Naxalbari: Breve histórico da luta de libertação do povo indiano




Todado das camaradas do Brasil do jornal A Nova Democracia.

Iniciamos a seguir uma série de publicações por ocasião do cinquentenário do Levantamento Camponês de Naxalbari, na Índia, que deu origem à guerra popular que hoje dirige o Partido Comunista da Índia (Maoísta).

Redação de AND nº 56, junho de 2009. 
A Índia conquistou sua “independência política” do colonialismo inglês apenas em 1947, depois que a administração colonial ficou impossibilitada pelas massivas lutas de libertação, armadas e desarmadas, dos povos que compõem a Índia, Paquistão, Bangladesh e a Caxemira — região conflituosa ainda disputada por Paquistão e Índia.
A colonização inglesa, a princípio pela Companhia das Índias Orientais e depois através do próprio Estado britânico, se valeu da antiga divisão da sociedade em castas, no caso da maioria hindu, e da fragmentação nacional e religiosa entre hindus, muçulmanos, budistas, cristãos, sikhs, gurkhas e outros para conseguir controlar o grande território e a enorme população. Além do pessoal transferido da Inglaterra e outras colônias, os ingleses contaram com a valiosa ajuda de rajás e marajás, membros de uma antiga nobreza que controlavam territórios maiores ou menores e que mantiveram alguns privilégios em troca da submissão de seus súditos aos “sahibs” britânicos.
Os movimentos pela independência levaram a que a Coroa Britânica planejasse uma transferência relativamente pacífica do poder político aos indianos, de maneira que seus interesses imperialistas se mantivessem intocados. A “independência” acordada com o império britânico previu uma divisão instigada pelas diferenças religiosas entre um Paquistão formado por maioria muçulmana e a Índia de maioria hindu e outras minorias como sikhs, etc., por isto mesmo a linha de fronteira, demarcada por um burocrata inglês, chegava ao cúmulo de dividir cidades e até famílias. A consequência foi que logo após a assinatura da “independência” explodiu uma violência generalizada que culminou em grandes massacres entre as três principais correntes, hindus, muçulmanos e sikhs, desencadeando um processo sangrento até os dias atuais.
Jawaharlal Nehru, líder do Congresso Nacional Indiano, partido fundado por intelectuais e a burguesia hindu, assumiu o governo imediatamente depois da saída do vice-rei britânico. Em janeiro de 1948, Mohandas Karanchamd Gandhi, tido pelos nacionalistas como o pai da nação indiana, é assassinado por radicais que pregavam a supremacia hindu sobre toda Índia.

2. O partido comunista e a luta contra o revisionismo kruschovista

Porém, a euforia popular com a independência durou pouco. Logo o povo percebeu que os novos gerentes, desta vez semicolôniais, nem sonhavam em atender os anseios do povo. A cruel divisão em castas continua a vigorar; mais de 700 milhões de pessoas vivem na extrema miséria, apesar de existirem perto de 200 milhões (mais que a população do Brasil) no que eles chamam de classe média, gente assalariada com um “melhor poder de compra”.
Sucessivamente, Nehru se aproximou do revisionista Tito (Iugoslávia), depois caiu sob a influência da Rússia social-imperialista. Hoje, no entanto, a Índia é mais um dos países dominados pelo imperialismo ianque, que explora a abundante força de trabalho e os recursos naturais indianos com especial interesse.
Fundado em 1925, na esteira da Revolução de Outubro na Rússia e dos movimentos de libertação nacional na própria Índia, o Partido Comunista da Índia passou por várias lutas internas, principalmente na década de 60, quando a luta contra o revisionismo moderno, vanguardeada pelos comunistas chineses liderados por Mao Tsetung, ganhava dimensão mundial, destacadamente com a Grande Revolução Cultural Proletária.
Os revisionistas seguiram sua sina. Novo fracionamento deu origem ao PCI (marxista), que rapidamente soube como ninguém se valer do eleitoralismo e hoje governa, em uma frente oportunista, cinco estados indianos, tendo sido responsável por um massacre de camponeses em Nandigram, estado de Bengala Ocidental — governado pelo PCI (marxista) — onde 14 camponeses foram assassinados pela polícia quando protestavam contra a instalação de uma Zona Econômica Especial em março de 2007. Tais zonas são enclaves imperialistas onde as empresas transnacionais podem se instalar com isenção de impostos, abundante força de trabalho barata e quase nenhum direito trabalhista.
Um dos resultados desse massacre foi a perda de apoio popular, expressa nas recém realizadas eleições parlamentares. Dados parciais apontam a tendência de os revisionistas conseguirem apenas 19 cadeiras em contraste com as 44 anteriores.

3. A Fração Vermelha e o caminho revolucionário de Naxalbari

Em dura e inconciliável luta contra o revisionismo kruschovista, a fração vermelha liderada por Charu Mazumdar promove a cisão proletária e reconstitui o partido como Partido Comunista da Índia (Marxista-leninista). Defendendo o Pensamento Mao Tsetung como o marxismo-leninismo da época (ver matéria na Edição 52 de AND), o PCI (ML) cria o Grupo Guerrilheiro do Povo, sua organização armada, e dirige o levantamento camponês na aldeia de Naxalbari, em Bengala Ocidental, que tomou terras dos latifundiários, queimou registros de propriedade, aboliu as dívidas dos camponeses pobres e julgou e executou os principais opressores e usurários.
A repressão que se abateu sobre os naxalitas deixou mais de 10 mil mortos e a desaparição de muitos quadros do PCI (ML), entre os quais o lider Charu Mazundar, assassinado na tortura. Os grupos sobreviventes continuaram atuando, embora sem contato, o que fez com que se criassem organizações independentes que cresceram e desempenharam significativo papel, desenvolvendo durante mais de 30 anos a Guerra Popular. Em 2003, o Centro Comunista Maoista e o Centro Revolucionário Comunista da Índia se unem no Centro Comunista Maoista da Índia (CCMI). Um ano mais tarde, em 21 de setembro de 2004, o CCMI se une ao Partido Comunista da Índia (marxista-leninista) (Guerra Popular)1, formando o Partido Comunista da Índia (Maoista). Sua organização militar unificada passou a se chamar Exército Guerrilheiro Popular de Libertação EGPL.

4. Gloriosa e invencível Guerra Popular

Sempre enfrentando os mais terríveis obstáculos, lutando contra o vento e a maré e através de mil peripécias, a guerra popular na Índia não se deteve um só instante. Nos últimos anos, impulsionada com o grande salto promovido com a fusão que deu origem ao PCI (Maoista), o poder e influência dos naxalitas2cresceram tanto que as classes reacionárias e seus meios de comunicação abandonaram a tática de ignorar a guerrilha. O próprio atual Primeiro-Ministro da Índia, Mammohan Singh chegou a declarar em agosto de 2006 que os maoístas eram o “maior desafio interno para a ‘segurança’ da Índia”. Segundo dados do próprio Ministro do Interior da Índia, Sriprakash Jaiswal, em 2007 os naxalitas realizaram 8.488 ataques a estabelecimentos policiais em 91 distritos de 11 estados.
O reacionário Estado indiano se utiliza de todos os meios de repressão, mas não consegue conter o avanço dos revolucionários indianos. A criação de grupos paramilitares como os Salwa Judum (ver artigo na página 19), a prática de realizar deslocamentos forçados de populações inteiras visando “secar a água para apanhar o peixe”, o confinamento de milhares de pessoas em “aldeias estratégicas” ao estilo aplicado no Vietnã, tudo isso não consegue realizar o sonho das classes dominantes indianas e do imperialismo, que é varrer os naxalitas do mapa. Vale dizer que o exército como instituição ainda não ingressou diretamente na repressão aos revolucionários, mas unidades de elite já participam há algum tempo de ações destinadas a atacar os revolucionários naxalitas.
E não realizam seus intentos porque os maoístas estão profundamente entranhados nas massas mais oprimidas e revolucionárias da Índia. O centro da ação política dos maoístas é entre as castas dos intocáveis (dalits) e dos párias, além das minorias nacionais oprimidas, camponeses, artesãos, enfim, as massas mais oprimidas do país. Seu programa de desenvolver o poder popular já faz com que as massas controlem praticamente o território de 4 estados com milhões de habitantes, constituindo-se fortes bases de apoio para o Partido e seu Exército.
Os êxitos militares dos revolucionários indianos estão sendo acompanhados de um avanço político nas zonas sob seu controle. Nelas houve uma efetiva melhora no nível de vida da população, basicamente camponesa. Isto está fazendo com que certo setor de intelectuais indianos veja com simpatia a guerrilha e se negue a classificar sua luta como imoral ou terrorista, como impõe o Estado e toda contra-propaganda reacionária. Este é o caso da escritora Arundhati Roy (ver artigo na página 19) e do conhecido músico Ravi Shankar, que disse publicamente que os maoístas são “admiráveis”.
Nas cidades, o trabalho dos naxalitas se estende a Delhi, Mumbai, Raipur, Pune, Jammu e outras, onde sua principal atividade é a propaganda revolucionária. Em fevereiro de 2008, em Nayararh, importante cidade do estado de Orissa, um comando naxalita realizou uma audaz ação contra um comissariado de polícia, expropriando 1.069 armas (dados oficiais). O governo não deu detalhes sobre a qualidade das armas, mas os maoístas já fizeram ações com morteiros de 80 milímetros e lança-granadas.

5. Boicote à farsa eleitoral

A Guerra Popular na Índia tem dado grandes dores de cabeça às classes dominantes indianas, dificultando que o país se afirme na posição de potência regional e atue mais como cabeça de ponte dos interesses imperialistas na região.
Em meio a isso, recém se realizaram eleições gerais para o congresso, mais uma farsa para enganar as massas e desviá-las do caminho revolucionário através do canto de sereia das reformas e mudanças através do voto.
Mas, atentas, as duas principais organizações revolucionárias indianas lançaram declarações convocando as massas a repudiar as eleições e reforçar a Guerra Popular.
“Exortamos” as massas patrióticas a aproveitarem esse momento para se organizarem e se prepararem, acima da restrita política de casta, credo, seita, religião e diferenças regionais, e voltarem a sua ira contra as classes dominantes, os defensores deste sistema e dos seus instrumentos de pilhagem e dominação. (…)
Uma Guerra Popular está sendo travada no nosso país liderada pelo PCI (Maoísta), em Dandakaranya e Jharkhand. A resistência das grandes massas deve ser combinada com a defesa desta guerra revolucionária e resolutos passos no sentido da abertura de novas frentes de guerra.” PCI (ML) Naxalbari.
“Nosso programa ficou claro para as pessoas através de várias formas, circulares, declarações na imprensa, entrevistas, folhetos, cartazes, inscrições nos muros, e assim por diante. Nossas equipes fazem apresentações culturais entre os povos convidando-os a compreender a verdadeira essência da chamada democracia parlamentar e convocar-lhes a boicotar as eleições. Iremos realizar esta propaganda até o final da última fase das eleições. Nossa campanha durante as eleições é basicamente uma campanha maciça de propaganda política. (…)
Depois, há o boicote ativo onde nós impedimos que os candidatos realizem suas campanhas nas aldeias e pequenos centros urbanos nos nossos domínios.”  Azad, porta-voz do PCI (Maoísta).
E muitas ações foram realizadas no período eleitoral e também depois dele. Eis algumas, noticiadas pelo monopólio dos meios de comunicação:
16 de abril
Os maoístas atacaram um acampamento da Polícia e uma estação ferroviária, e explodiram vários artefatos.
22 de abril
Ás vésperas do 2º turno das eleições, um trem foi detido em uma estação por mais três horas. A ação ocorreu no distrito de Letehar, norte da Índia e fez parte de um conjunto de manifestações convocadas pelos maoístas na região de Jharkhand e Bihar.
23 de abril
Pelo menos cinco pessoas encarregadas da supervisão das eleições indianas— um juiz, dois seguranças e dois policiais — morreram na explosão de uma bomba na nortista região indiana de Bihar. A participação nas eleições não passa de 55% ao final do 2º turno. Várias ações de sabotagem impedem agentes eleitorais de chegar às seções, principalmente no norte do país.
6 de maio
ataque a bomba mata 6 policiais e 4 colaboradores que viajavam em um trator no distrito de Bastar, região central da Índia.
7 de maio
Centenas de manifestantes enfrentaram a polícia na Caxemira indiana, na realização da quarta votação das eleições parlamentares indianas. As forças de repressão lançaram gás lacrimogêneo contra um grupo de manifestantes que atirava pedras. Os manifestantes gritavam frases contra as eleições e o atual governo.
10 de maio
Ataque a um comboio das forças de repressão formado por três veículos nos quais viajavam 41 militares deixou pelo menos 12 policiais mortos e seis ficaram feridos.
Assim, os revolucionários indianos seguem dando duros golpes no feudalismo, na grande burguesia, no imperialismo e no revisionismo encastelado no Estado, expandindo a Guerra Popular a todo o país, como determinou o último congresso do PCI (Maoista) em 2007 e dando grandes passos na realização do que define seu programa, a revolução de Nova Democracia ininterrupta ao socialismo.

Notas da Redação
1 Errata — na edição 52 de AND, página, nota da redação, publicamos que tanto o PCI (M) como o PCI (ML)(GP) convocaram as massas a não participarem das eleições indianas. O PCI (ML) (GP) não existe mais, como consta no atual artigo.  Na verdade, os partidos que fizeram as declarações são o PCI (M) e o PCI (ML) Naxalbari.
2 Como se denominam os maoístas na Índia.




India: Avante a celebración dos 50 anos da Rebelión de Naxalbari!